partir de 1º de janeiro, a Câmara Municipal de Amparo terá 15 vereadores, devido à Proposta de Emenda Constitucional aprovada na madrugada desta quinta-feira, em caráter terminativo em sessão do Senado Federal. Foram aprovadas 24 faixas populacionais que irão balizar o número de vereadores nas Câmaras Municipais de todo o país. Amparo fica na 4ª faixa, das cidades entre 40.001 e 80.000 habitantes, com 15 vereadores.
Com a mudança, as coligações que disputaram as eleições locais e conseguiram representatividade na Câmara Municipal terão o seguinte número de representantes:
PT - 4 cadeiras
PSDB/PCdoB/PMDB/PTB/PSDC/PRP - 4 cadeiras
DEM/PDT/PSB - 4 cadeiras
PP/PV/PPS - 3 cadeiras
Além dos vereadores eleitos já divulgados, assumirão também:
Pelo PT - Bruno - 727 votos;
Coligação PSDB/PCdoB/PMDB/PTB/PSDC/PRP - José Bueno dos Santos Filho (PTB) 721 votos;
O povo brasileiro escolheu os seus prefeitos e vereadores para o quatriênio 2009-2012. Mesmo levando-se em conta algumas prorrogações de mandato durante o regime militar, essas eleições vêm sendo realizadas com regularidade desde o ano de 1947, logo após a redemocratização do Brasil no período pós-Vargas.
As eleições municipais tem algumas características próprias, entre elas a predominância do voto no candidato em detrimento do partido. Mesmo durante o regime militar, quando houve a bipolarização ARENA X MDB (depois PDS x PMDB), o eleitor dirigiu o seu voto para um candidato específico, não se preocupando com o partido.Quando muito, podemos dizer que ele vota nos grupos políticos existentes no município, que em alguns casos são uma soma de partidos políticos amealhados com o objetivo de conseguir um bom tempo no horário eleitoral obrigatório nos meios de comunicação.
Não poderia ser diferente em nossa cidade.No passado, tivemos três grupos que disputaram o poder: o grupo de Carlos Piffer, que ficou 16 anos no poder, incluindo omandato de Clésio Paiva; o grupo de João Cintra, que ficou quase 13 anos no poder; e o grupo de José Carlos de Oliveira, que totalizou seis anos à frente da prefeitura do município.
Em 1996, pela última vez, esses três grupos disputaram as eleições municipais cada qual com candidato próprio, e a partir daí, foram perdendo a antiga força eleitoral.A principal razão foi o surgimento de uma nova liderança política em Amparo, César Pagan, que, como candidato do PT, chegou em segundo lugar, com 6.854 votos, perdendo para Carlos Piffer por uma diferença de apenas 897 votos.Pagan chegou na frente do candidato do então prefeito João Cintra e do ex-prefeito José Carlos de Oliveira. Foi a grande surpresa daquela eleição.
Até então, o PT tinha disputado duas eleições municipais, obtendo em ambas cerca de 2% dos votos.Em 1988, com Beto Zanarella, obteve 663 votos, e em 92, com Konrad Adenauer, amealhou 559 sufrágios. Pagan mudou essa realidade em 96, conquistando 20% do eleitorado e se tornando o candidato natural para o pleito de 2000.No intervalo entre uma eleição e outra, reestruturou o PT local, filiando pessoas com uma visão política mais moderada.É certo que isso descontentou os históricos do PT, que no entanto, sem opção, apoiaram a candidatura Pagan no pleito do final do milênio.
A estratégia deu certo, e no ano 2000, Pagan foi eleito com 66,5% dos votos. Em seu primeiro mandato, implantou um governo mais técnico do que político, e isso acabou por afastar definitivamenteospetistas históricos e mais radicais.Em compensação, foi formando a sua equipe e isso trariareflexos nas características do PT municipal.
Já em 2005, quando Pagan foi reeleito com 46% dos votos, o PT já não tinha em seus quadros vários de seus fundadores.Outros se afastaram no decorrer do segundo mandato de Pagan, indo parao PC do B – que também deixaria de apoiar a administração municipal, ou mesmo para outros partidos, como o PMDB e o DEM.
César Pagan formou definitivamente, no segundo mandato, seu próprio grupo político, abrigado sim no PT, mas com características próprias em relação ao PT nacional.Não que seus integrantes não apoiassem o PT nas eleições nacionais ou estaduais, mas na maneira de administrar, assumiu um rumo mais moderado e ao mesmo tempo mais racional, sem extremismos de qualquer espéciee mais voltado para a realidade local do que para os problemas nacionais.
O surgimento do Partido de César Pagan – que eu chamo de PCP- ocorreu em função dessa metamorfose do PT local e marcou o ocaso dos outro grupos políticos do município.O grupo de Carlito Piffer perdeu força depois da morte de seu líder, em 2002, e ainda não encontrou um nome à altura para comandá-lo. Os dois candidatos que disputaram, tendo como base o espólio eleitoral de Piffer – Scabora e Jacob – não tiveram sucesso. Jacob é uma promessa.Vereador por duas legislaturas, talvez consiga sucesso no futuro. É um bom moço, mas precisa formar um grupo comnovos nomes, desvencilhando-se de políticos arcaicos que já não têm mais a simpatia e a preferência do eleitor. Outro grupo – o de João Cintra – quase desapareceu.Juntou seus cacos com o espólio eleitoral de José Carlos de Oliveira, e por duas vezes disputou a prefeitura com Graminha.Sem sucesso e sem perspectivas, a não ser que encontre um líder à altura.
Enquanto isso, Pagan comemora a vitória de seu candidato, Paulo Miotta, que obteve 46% dos votos. Pagan mostra que veio para ficar, e hoje representa muito mais do que o PT local.Apoiando um candidato recentemente desconhecido, e com uma chapa de quinze candidatos a vereador, sem coligação com outros partidos, fez o sucessor e elegeu a maior bancada na Câmara, com três integrantes.
A grande maioria do eleitorado de Miotta não é petista. São eleitores que aprovaram as duas administrações de Pagan, que conta com uma alta taxa de aprovação.Aprovaram a sua administração técnica, que sem descuidar do embelezamento da cidade, deu grande prioridade aos aspectos sociais, destacando-se a saúde e a educação. O voto dado a Miotta foi, antes de mais nada, uma aprovação a esta administração, que governou com competência e descartou a velha politicalha.
A oposição que se cuide.Eu já vi esse filme antes.Em 1982, na cidade de Jaguariúna, houve uma grande reviravolta na política local, com a eleição de Laércio Gothardo para prefeito e Tarcísio Chiavegatto para vice.Eram até então representantes da fraca oposição naquela cidade. Venceram naquele pleito e ficaram 26 anos no poder, sendo apeados somente no último dia 5 de outubro. Da mesma forma que César Pagan, foram responsáveis por administrações competentes, que mudaram a realidade daquele município. As brigas políticas e as disputas provincianas deram lugar para o trabalho responsável e para o desenvolvimento.
(*) Julio Arthur Marques Nepomuceno é filósofo e professor, bacharel em Teologia e Filosofia, e licenciado em história, geografia, letras (língua portuguesa) e pedagogia. É membro da Academia Amparense de Letras (cadeira nº 30), tendo como Patrono Carlos Drummond de Andrade.
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